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  • Daniele Pinto

O Marumbi



A escalada tradicional no Paraná, e no Brasil, teve seu início marcado por conquistas nas montanhas da Serra do Mar, e o Conjunto do Marumbi foi um dos protagonistas desta história que já completa mais de 100 anos.

O Marumbi é entre os escaladores que frequentam essas bandas algo como um mito, um desejo e para alguns, aqueles privilegiados que conseguem subir por suas paredes verticais, uma satisfação sem par.

Não é fácil escalar no Marumbi. Por que? Porque a mesma mata atlântica que torna o lugar um refúgio de espécies e enche nossos olhos, também dificulta os acessos. As caminhadas até a base das vias são longas, no mínimo uma hora, sem perdidas. E para não se perder no Marumbi só indo na cola de alguém que conheça o lugar. Até as caminhadas de acessos aos cumes são ingrímes, com laces de escalada com degraus, cordas fixas e escadas. Se a trilha para subir a montanha já é uma aventura e tanto, que bota para chorar quem não é acostumado com tanta altura e verticalidade, imagine só as escaladas?




As escaladas são negativas ou verticais, já que nas paredes um pouco mais tombadas a vegetação toma conta. Por falar em vegetação, em uma escalada no Marumbi é quase certo que você terá que enfrentar um lance de mato, e para quem não está acostumado custa um pouco acreditar que o bambuzinho não vai se soltar. Mas com algumas indas e vindas agente aprende a agarrar o bambu na base, puxar e só soltá-lo depois de dominar a moita. As paredes de granito contam com lances de aderência, chaminés, fendas, agarrinhas e chegam a até 400m, na maioria das vias o grau de exposição é E3, algumas vias de quarto e quinto grau, mais para escalar bastante mesmo é bom dominar o sétimo grau, daí é só botar para cima.



Porém sétimo grau ainda é um objetivo a ser dominado, então na ponta da corda eu escalei pouco no Marumbi. Em 2008 fiz a Maria Buana com a Dani Polaca, e a Luciana Maes, na mesma ocasião também fizemos as três primeiras cordadas da Los Encardidos. Voltei outras vezes e me lembro somente de ter encarado a primeira da Enferrujados. Falando em Enferrujados esta é uma boa via para começar, a via era toda em artificial e recentemente foi regrampeada, virou um 6sup/7a E1 100m, localizada no Parque do Lineu, onde também existem outras vias que são os primeiros passos do Marumbi. Entre elas a Maria Buana 6sup E2 50m, A Vaca Preta 6sup E? 30m, a Morcego 7a E1 30m e tudo mais que você conseguir subir por ali. Estar no Parque por si só já vale o dia, o visual é incrível, as vias já começam lá no alto e são linhas naturais em lindas paredes de granito. Só aí neste setor você pode provar de tudo, chaminé, riglete, fenda, artificial.



Depois do Parque, o caminho a ser trilhado é o Paredão Preto, a via Cristal Negro 7a E3 é a mais acessível, e a caminhada também é mais curta e o acesso mais simples. Durante muitas visitas ao Marumbi eu conheci apenas estes setores, e este ano, na cola do meu companheiro Ingo Moller conheci as vias Caroço 6sup E3 280m e a Terra de Malboro 7a E3 200m, ambas na Esfinge e a Brumas do Valão 6sup E2 60m no Desfiladeiro das Catedrais.



Escalar no Marumbi não é fácil, mas é do cacete! Então vale a pena conhecer, começar pelo começo e voltar mais trocentas vezes para começar novamente. Estou neste processo e tenho me divertido bastante neste outono seco. Escutei que para treinar para escalar no Marumbi, tem que escalar no Marumbi. Então, a temporada está aí, apenas começando e prometendo muito treinamento. São mais de 300 vias e José Luiz Hartamann “Chiquinho” e amigos continuam abrindo novas e lindas linhas de escalada nas paredes do Conjunto. Para facilitar a vida tem o guia de escalada do Conjunto do Marumbi, obra do Chiquinho, você pode comprar através do site www.altoestilo.com




*matéria origanalmente publicada em jun/2013 no Webventure

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