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  • Daniele Pinto

Cordilheira do Himalaia

Conhecer a maior cadeia de montanhas do mundo é um sonho para qualquer montanhista. Tive o privilégio de viver este sonho no último mês de março. Durante 30 dias estive no Nepal e pude conhecer uma pequena porção desta imensa cordilheira.

Aterrissamos, eu Ingo e Alice, em Kathmandu já era noite. De táxi seguimos para o Thamel, região turística da capital nepalesa. Primeira impressão foi de um lugar superpopuloso e caótico. Onde carros buzinam sem parar e dividem espaço nas ruas com as vacas. Pouco desenvolvido e habitado por uma gente amável e cheia de devoção.

A religião oficial do Nepal é o hinduísmo, mas a maioria da população é budista. Alguns nem fazem estas distinções. São devotos de Shiva, Krishina, Ganesh, Durga e Buda, e todos dividem os altares nas casas, nas ruas e nos templos em perfeita harmonia.



Thamel é onde ficam as lojas de equipamentos de montanha, as lojas de artesanatos nepaleses, as agências de turismo, os hotéis e restaurantes para os turistas. Estávamos no portão de entrada da Cordilheira do Himalaia, com infinitas possibilidades e nenhum plano.

LangTang Trekking

Amigos nos indicaram alguns roteiros de trekking, fizemos algumas pesquisas na internet, e acabamos optando para ir para a região de LangTang. Localizado ao norte de Kathmandu, foi decretada parque nacional em 1976. A região faz fronteira com o Tibet. ´É um dos lugares onde o turismo ainda não causou tanto impacto, como em outros roteiros mais famosos.

Ficamos dois dias na cidade fazendo os preparativos para partir. Além de comprar alguns equipamentos que faltavam, precisávamos descobrir como chegar. E ainda teve uma dose de burocracia nepalesa para enfrentar.



Para realização de qualquer trekking na Cordilheira do Himalaia no Nepal cada pessoa precisar adquirir o TIMS card - Trekking Information Management Systems e pagar o ingresso do parque. Toda esta burocracia é realizada no Nepal Tourism Board Office.



O turismo no Nepal está focado na Cordilheira no Himalaia. E os roteiros de trekkings são vendidos em agências de turismo. Sendo assim, muita gente que habitualmente não tem contato nenhum com a montanha, quando chega no Nepal resolve fazer turismo nas montanhas do Himalaia. E neste caso é essencial a contratação dos serviços de uma agencia, já que esta pessoa não tem noção de como é estar em um ambiente de montanha.


Para montanhistas acostumados a viver neste ambiente é fácil ir de maneira independente. No nosso caso, toda a logística foi pensada para viabilizar o trekking para uma menina de 5 anos. Fomos independentes, com bastantes dias disponíveis e levamos alguma comida.

Durante o trekking as refeições e a hospedagem acontecem em refúgios dispostos ao longo do percurso. Não vimos ninguém acampando. Experiência nova de estar na montanha dormindo em cama e com comida pronta e servida na mesa. Toda esta mordomia tem preço, custo por pessoa por dia $20.



Roteiro

O trekking tem início na pequena cidade de Syabrubesi, onde se chega de ônibus público, ônibus para turistas ou jeep fretado. Diversos preços e experiência. Nós fomos no ônibus público, porque além de ser mais barato você tem aquela verdadeira experiência nepalesa inesquecível. São 80 quilômetros de distância de Kathmandu para Syabrubesi, que levaram oito horas. O percurso é chacoalhando de levantar do banco, e curvas e precipícios e ônibus atolado. E quando chega aquela sensação que você já viveu aventura suficiente. Realmente não tem preço!!!!



As agencias oferecem um roteiro de 7 dias, até o povoado de Kyanjin Gompa, onde é possível subir dois nevados, o Kyanjin Ri 4980m e o Tersko Ri 5033m. Independentes fizemos o caminho de subida em 4 dias. Carregando tudo, algumas vezes carregando a Alice também. E principalmente desfrutando da paisagem e da cultura local.

Chegando no povoado de Kyanjin Gompa ficamos três noites e dois dias. E assim revezamos a subida ao Kyanjin Ri. Foram dois dias de tempo fechado, neve e muito frio na montanha.



Quando o tempo abriu decidimos descer, e desta vez resolvemos contratar o serviço de um sherpa para levar a Alice. Descemos em dois dias correndo atrás do sherpa o tempo todo. Detalhe ele tinha 65 anos e estava carregando o dobro do peso que nós carregávamos. Esta experiência serviu para termos certeza que seguiríamos independentes.





O melhor

Destaques deste pedaço da Cordilheira do Himalaya é a proximidade com a fronteira do Tibet. A cultura deste povo que perdeu seu território, mas mantem suas raízes é predominante. Já que a etnia que prevalece nesta região é a Tamang, de procedência tibetana.



Em Langtang a exploração turística é mais recente e ainda é possível observar algumas tradições e costumes dos povos que habitam estas montanhas. Ao longo de todo trajeto muitos templos budistas. Também caminhamos ao longo de muros e bandeiras de orações, e até mesmo roda de orações movidas com água do rio. Muitas hospedagens ainda são casas de família, onde não falta um altar com a foto do Dalai Lama e o ritual de queima ervas ao amanhecer é seguido à risca.



E obviamente a natureza se mostra grandiosa e perfeita em sua existência. No início do trekking passamos por florestas sempre margeando os rios formados pelas águas do degelo. Em seguido a paisagem começa a mudar e surgem grandes vales. Estas áreas são usadas para a criação de iaques. No horizonte já começam a aparecer as montanhas nevadas.



O povoado de Langtang, o qual chegamos no terceiro dia de caminhada, já está cercado por grandes montanhas nevadas. E quanto mais se caminha mais e mais montanhas surgem, mostrando a grandeza e onipotência deste lugar.




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