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  • Daniele Pinto

Cura*


Palavra muito em voga na última década. Nas redes sociais, televisão, documentários, filmes, sem falar nas inúmeras terapias que surgiram recentemente prometendo a cura. Derivado do latim, etimologicamente significa o “restabelecimento da saúde”. Até então nada de novo, já que buscar pela saúde é tão antigo quanto a própria existência da humanidade. O que vemos de novo é uma visão integrada do ser humano, onde a saúde é buscada não só no corpo físico, mas também considera os aspectos emocional, mental, espiritual e social.

Vamos agora pensar sobre a palavra saúde. A Organização Mundial de Saúde OMS, definiu em 1946 como um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. Também significa o estado de normalidade de funcionamento do organismo humano, ou seja, viver com saúde é o nosso estado natural. Quando este estado de normalidade é alterado negativamente por fatores externos (do ambiente), ou internos (do próprio organismo), acontece a doença. E é aí que entra a cura, na busca de restabelecer o equilíbrio natural do ser humano.




A cura do corpo físico

Nosso corpo adoece quando não nos alimentamos bem, quando não dormimos o suficiente, quando vivemos estressados. Também existem doenças genéticas, fatores externos como viroses e bactérias. Sem falar na possibilidade de acidentes e traumas que afetam nosso corpo físico.


Segundo Maria Julia Busato, médica especialista em Reumatologia, é inegável que estamos em constante mudança. “As células morrem e nascem o tempo todo, nosso corpo tenta manter a renovação em dia e nem sempre isso acontece da forma correta. Então temos a possibilidade de novas doenças a qualquer momento, genéticas ou não”. Dentro deste contexto a cura não seria algo definitivo, nem mesmo algo possível em todos os casos, já que existem doenças crônicas ou incuráveis. “Então para mim a definição de cura fica em segundo plano, menos importante do que a qualidade de vida. É possível conviver muito bem com doenças incuráveis, a depender da severidade de cada quadro e do que cada indivíduo é em si, independentemente do diagnóstico”. A doutora ainda salienta que a medicina também entende bem hoje que, a despeito de orientações genéticas, muitos indivíduos seguem outros rumos clínicos, que costumam condizer muito com o que foi oferecido a esse corpo como estímulo ambiental. “Isso significa que o que fazemos com o nosso corpo e mente impactam de forma bastante significativa na saúde e doença”, finaliza Busato.



Prática de esportes e alimentação saudável também é considerado parte do tratamento médico para pessoas que têm doenças crônicas, segundo Mônica Santos, Educadora em Diabetes, atleta e diabética. “No caso do diabetes em especial, sabemos que não existe cura, mas que o controle permite que o indivíduo tenha uma vida tranquila e com muita qualidade. Os medicamentos estão aí em evolução para que a nossa vida seja mais fácil. Mas saber que a prática contínua de um esporte e uma alimentação adequada para cada indivíduo pode fazer com que a quantidade de medicação seja significativamente diminuída,” afirma Mônica.


Atleta e educadora em diabetes Mônica Santos em ação, mostrando que esporte é saúde.


Ela ainda relata que muitas pessoas com Diabetes do tipo 2 conseguem controlar exclusivamente a prática de atividade física e alimentação. Enquanto as pessoas que não se atentam a esses fatores podem ter necessidade de mais e mais medicamentos. Já para quem tem Diabetes tipo 1, explica Mônica, a insulina é necessária, pois o corpo não consegue produzir ou utilizar a insulina que produz. “E assim como no caso anterior, quem tem uma vida ativa e a alimentação saudável utiliza bem menos insulina do que quem não tem esse hábito. Meu exemplo pessoal: hoje utilizo 50% menos insulina do que cinco anos atrás,” complementa a atleta que pedala cerca de 150 km por semana. Sobre a alimentação, Mônica ressalta que a busca pelo equilíbrio é a chave para o sucesso. “Mais verduras, legumes, proteínas e menos carboidrato também ajudam a manter o controle”.


A cura do corpo emocional e mental

Já é cientificamente comprovado que as nossas emoções afetam nosso estado mental, e consequentemente a saúde do corpo físico. Afinal está tudo integrado. “Não existe a dicotomia mente/corpo, mas sim a interdependência dos aspectos psicológicos e biológicos, interconectados por processos os quais ainda não estão plenamente desvendados pela ciência”, afirma Cristiane Richter, psicóloga clínica com especialização em psicologia Junguiana, Psicopedagogia, Arterapia e Neurociências e Comportamento.



Quando estamos saudáveis emocionalmente conseguimos lidar com os altos e baixos da vida cotidiana. Porém quando estamos emocionalmente abalados e lidamos com situações que fogem do nosso controle podemos facilmente desenvolver transtornos mentais. Richter relata um estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o qual apontou que os casos de depressão praticamente dobraram desde o início da quarentena. Entre março e abril, dados coletados online indicam que o percentual de pessoas com depressão saltou de 4,2% para 8,0%, enquanto para os quadros de ansiedade o índice foi de 8,7% para 14,9%. “Transtornos mentais como a Síndrome de Burnout, transtornos alimentares, transtornos obsessivos-compulsivos, dependência química e violência doméstica, foram significantemente aumentadas pelo isolamento, hiper convivência, home office e medo de contaminação e morte, provocados pela pandemia o qual estamos enfrentando”.


Nestes momentos, onde nossa saúde emocional e mental está abalada, é importante buscar o caminho para a cura. “Felizmente, os transtornos mentais são diagnosticáveis e possuem diversos tratamentos eficazes. Pedir ajuda profissional não é um sinal de fraqueza. Na verdade, é uma prova de coragem e força”, enfatiza Richter.


As emoções também reverberam em nosso corpo físico. A terapeuta corporal Luiza Calvo conta que muitos pacientes chegam até ela com queixas no corpo físico, porém durante o atendimento acontecem espontaneamente desbloqueios emocionais, estimulados pelo toque ou até mesmo pelo simples ato de parar e relaxar. “Muitas vezes o nosso corpo nos dá sinais de que as coisas não estão nada bem e muitas vezes algumas questões vêm sempre associadas a outras. Pode ser uma dor de estômago e depois de se tornar uma tensão em alguma parte mais específica do corpo, aquela sensação de energia baixa ou até mesmo uma aceleração de energia, como se nunca pudéssemos nos permitir parar um minuto", exemplifica a terapeuta.


Seguindo a mesma linha de promover a saúde e prevenir a doença, Luiza destaca a necessidade de buscar momentos de relaxamento e prazer. “Nos ouvir e priorizar nosso autocuidado é muito importante para aliviar sintomas - físicos, emocionais e mentais - e nos reconectar com a nossa bússola interna. Só nos damos conta o quanto isso é importante quando passamos a priorizar estes momentos. Esse autocuidado, não é luxo como muitos pensam, é prevenção; o toque é curador” finaliza a terapeuta.




A cura do corpo espiritual

Em tempos de capitalismo e materialismo exacerbado, muitas pessoas sentem aversão quando escutam falar de espiritualidade. Ressaltando que não estamos aqui falando de religiosidade, mas sim de um olhar para o mundo que transcende o material, o físico, o palpável. Espiritualidade pode ser definida como tudo aquilo que instiga uma mudança interior, dá um novo sentido à vida ou que proporciona um conhecer mais profundo do coração e do mistério do todo. Esse conhecer mais profundo pode ser buscado através de atividades como meditação, yoga e ações que nos coloquem em situações de contemplação e troca com a natureza. Dar espaço na nossa rotina para o ócio, para observar o funcionamento da nossa mente e detectar padrões e condicionamentos que repetimos automaticamente e podem inclusive serem geradores de doenças.

Segundo a terapeuta Veronica Malká, formada em Medicina Cabalista, o corpo expressa fisicamente o que está acontecendo na interioridade. “Cada órgão e partes do corpo possuem inteligências específicas que nos impulsionam para a evolução em todas as áreas da vida. Quando bloqueamos essas inteligências, a partir das emoções armazenadas, muitas vezes, de forma inconsciente, criamos as raízes das doenças".

A busca pela cura, independente de onde a doença se manifesta, passa também pela busca pelo autoconhecimento. Malká explica que no momento que o corpo nos apresenta um mal estar ou um desconforto, localizado em alguma região, é preciso compreender qual a mensagem que aquela região porta. “Essa doença que começou a se instalar a partir daquele órgão não está fechada simplesmente naquele sintoma aparente, ela tem suas raízes em outras áreas da vida. E essas outras áreas que precisam ser curadas também".

A cura não acontece simplesmente tirando os sintomas de cena. A cura acontece quando descobrimos a causa, e é este investigar profundo que chamamos de auto conhecimento. “O ser humano é um ser sistêmico. Compreender a inter-inclusão de todos os elementos que nos constituem abrem as portas não apenas para o autoconhecimento, como também para a alta performance”, finaliza a terapeuta.


Serviços

  • Dra. Maria Julia Busato

Médica especialista em Reumatologia

+55 12 99603-9833

@clinica_medica_sao_bento

  • Mônica Santos

Educadora em Diabetes

+55 12 99703-8388

@meudiabetesemfamilia

  • Cristiane Richter

Piscóloga Clínica

+55 11 99242-5866


  • Luiza Calvo

Terapeuta Corporal

+55 12 99717-9735

@luizacalvoterapias

  • Terapeuta Veronica Malka

Medicina Cabalista

+55 21 97293-1809

@medicinacabalista


* texto originalmente produzido para a revisa Sapucaia.

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